Sábado, 23 de Setembro de 2017

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Colóquio Internacional Feminismos e "artivismo" nas Américas (séculos XX-XXI)

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: França

Chamada para trabalhos, Antropologia, Ciências Humanas e Sociais, Género, Estudos Latino-Americanos, Estudos Comparatistas, Estudos Ibero-Americanos

O Colóquio Internacional Feminismos e artivismo nas Américas (séculos XX-XXI) acontece na Universidade de Rouen Normandia,  nos dias 27 e 28 de setembro de 2017.  O evento, uma perspetiva comparativa entre as diferentes Américas, tem o objetivo de aprofundar o conhecimento destes movimentos na França. Tendo como foco principal a pluralidade e a força da sua ação, a reflexão se concentrará em sua especificidade e sua contribuição para a luta contra as opressões de classe, raça, gênero e sexualidade. O prazo máximo para o envio de trabalhos é o 15 de março.

Eixo Temático

Eixo 1: Afro-feminismo. As feministas africanas estadunidenses foram as primeiras a questionar o feminismo hegemônico a partir da restituição de sua própria experiência. Elas contribuíram para a teoria crítica marxista e do feminismo materialista integrando as categorias de raça e de gênero. Na América Ibérica, o movimento das mulheres negras tem uma organização mais recente e não reivindica tanto a filiação africana – daí a denominação afro-feminismos – mas articula-se com os outros movimentos de mulheres latino-americanas, particularmente indígenas. No Brasil, Lélia Gonzalez propõe o conceito de « Améfrica ladina » que destaca tal articulação. No espaço hispânico, movimentos fortes emergem também, de Cuba ao Peru.

Eixo 2: O pensamento feminista « fronteiriço ». Neste contexto de pluralidade do movimento das mulheres americanas, é importante discutir as trocas e as circulações das experiências, dos saberes e das práticas em todo o espaço americano. Estas interações serão abordadas mais em termos de ação do que de simples recepção de conhecimento. Podemos citar como exemplo as feministas chicanas que estão na intersecção de diferentes culturas, referências e práticas, e que se afirmam como "fronteiriças" e/ou mestiças.

Eixo 3: Feminismo decolonial. Este movimento existe, de maneira organizada, desde o início do século XXI, mas reivindica uma matriz antiga. Ele complementa a obra masculina de pensadores decoloniais integrando questões de gênero e de sexualidade nesta teoria. Ele assume uma perspetiva não-eurocêntrica e destaca o pensamento produzido a partir “das margens pelas feministas, mulheres, lésbicas e pessoas racializadas” (Y. Espinosa).

Eixo 4: Ativismo indígena. O lugar das mulheres nas comunidades ameríndias nunca se limitou ao espaço privado. No entanto, desde a Conquista, elas foram subjugadas no âmbito do sistema colonial e patriarcal. A partir das últimas décadas do século XX, elas se mobilizaram politicamente e realizam ações no interior dos grupos indígenas, como no Chiapas, na Guatemala, no Equador ou na Bolívia. Estes movimentos reivindicam a identidade de “povos originais” com direitos que os permitem sair da condição de cidadãos e cidadãs de segunda classe. Mas se trata também de uma luta contra a imposição do capitalismo e das políticas neoliberais no seu território, como se evidencia pelos exemplos recentes de Berta Cáceres (lenca), Máxima Acuña (quechua) ou LaDonna Brave Bull Allard (Sioux).

Eixo 5: Corpos, arte e ação. As ativistas das Américas têm várias facetas e a arte é muitas vezes mobilizada como uma estratégia de luta. A voz e a sua incorporação na literatura e na música são formas de contestação. Neste sentido, o exemplo das escritoras norte-americanas Audre Lorde, Gloria Anzaldúa ou Cherríe Moraga é emblemático. A música é também outro meio de expressão e de ação, como no caso de Ochy Curiel que além de ser teórica e ativista, é também autora-compositora. Outras se investem na arte da performance, na arte urbana e/ou mobilizam o equipamento audiovisual ao serviço da luta, como no caso da defesa dos direitos das comunidades indígenas mesoamericanas e andinas.

Eixo 6: Feminismos e ações diretas. Nas Américas, muitas mulheres que integraram o ativismo indígena e o afro-feminismo também participaram dos movimentos revolucionários e armados que acompanharam suas lutas anti-capitalistas. É esse o caso, por exemplo, das mulheres do Black Panther Party nos Estados-Unidos, do movimento zapatista no México, das Forças Armadas Revolucionárias (FARC) na Colômbia, do Sendero Luminoso (SL) ou do Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA) no Peru ou da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Nicarágua.

Mais informações nas chamadas para trabalhos em anexo, no e-mail colloque.femart@gmail.com e na página da Université de Rouen.

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