Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

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A poesia épica e os debates intelectuais no século XIX lusófono - XII Congresso Alemão de Lusitanistas

Início: Fim: Data de abertura: Data de encerramento: Países: Alemanha

Literatura, Chamada para trabalhos

12° Congresso Alemão de Lusitanistas - Mogúncia (Mainz), 13 a 16 de Setembro de 2017 

Secção 2 – Discursos partilhados ou singulares? A poesia épica e os debates intelectuais no século XIX lusófono

Coordenação: Roger Friedlein e Marcos Machado Nunes (Bochum)

Nas literaturas lusófonas do século XIX a epopeia constitui um gênero marcante, sobre cuja pertinência e alcance deflagra-se, a partir do Romantismo e depois, um intenso debate. Particularmente no Brasil, a discussão sobre a epopeia constitui uma peça central dos discursos de formação da nacionalidade, mas, assim como em Portugal, também da inovação estética. Notório tem sido, até hoje, o debate entre José de Alencar e Gonçalves de Magalhães, que se desenrola no conflito entre a epopeia e o romance. Contudo, a reflexão e a discussão sobre o gênero e seu significado no contexto das literaturas nacionais emergentes não se esgota neste episódio, central para a história da literatura brasileira do século XIX. O debate diz respeito à produção literária no Romantismo e depois, mas também é de grande relevância para a avaliação que se faz, durante o período, do passado literário. No âmbito do XII Congresso Alemão de Lusitanistas, propomos criar um espaço para a discussão de um horizonte textual e discursivo mais amplo do que a chamada polêmica sobre A confederação dos tamoios. Embora não seja impossível reconhecer contatos e trocas transatlânticas nesse campo, chamam a atenção as condições divergentes em que se produz o discurso metaépico no Brasil, por um lado, onde a problemática central reside na integração do índio e a constituição nacional, e em Portugal, onde pesa mais a relação que os poetas estabelecem com a tradição do gênero desde Camões. Apesar dessas divergências, o discurso metaépico do séc. XIX lusófono forma um conjunto polifacético.

Em conexão com um projeto de investigação financiado pela DFG sobre as transformações da poesia épica no século XIX no espaço iberorromânico, esperamos reunir em Mainz pesquisadores interessados em avaliar como a epopeia se converte em objeto de reflexão no século XIX.

No contexto das transformações culturais do Romantismo, a própria ideia de gênero literário se mostra problemática, levando à transgressão, fusão ou dissolução das normas e expectativas de gênero. No caso da epopeia, a tendência à inovação é contrabalançada pela centralidade do gênero nos cânones literários em formação, com implicações sobre a posição da literatura nos contextos culturais em transformação nos dois lados do Atlântico. Articula-se uma intensa (embora às vezes dispersa) reflexão sobre a poesia épica em discursos que circulam em tipologia textual diversa: paratextos, historiografia e crítica literárias, imprensa, escrita privada (cartas), assim como nos textos literários, em particular, nos próprios poemas épicos, em momentos de autoreflexão.

Na encruzilhada entre conservação e transformação, uma série de temas e questões se apresentam para a discussão no Congresso: Que concepções da tradição épica e da sua possível (ou não) transformação e sobrevivência se apresentam nesses discursos? Em que medida esses discursos se relacionam com o fazer literário? Que relevância é dada ao gênero na formação dos campos culturais e literários? Que outros temas significativos para o período se associam à discussão sobre a poesia épica? Quais as possibilidades de uma perspectiva transatlântica na avaliação desses discursos? Que concepções de autoria e seu lugar institucional estariam em jogo?

Convidamos os interessados em discutir essas questões e/ou propor outras indagações sobre o tema a participar da nossa seção.

Por favor, envie o seu resumo até dia 30 de abril de 2017 para:

Prof. Dr. Roger Friedlein: roger.friedlein@rub.de.

Dr. Marcos Machado Nunes: marcos.machadonunes@rub.de.

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